As 4 Características Essenciais para Sustentabilidade dos Ecossistemas Digitais | dheka

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16 abril 2019,
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Ecossistemas – a Inspiração que vem da Biologia

Ecossistema é um conceito que tem suas raízes na biologia (DHUNGANA et al., 2010). Um ecossistema é uma comunidade de organismos vivos (i.e., plantas, animais e microrganismos) em conjunto com componentes não vivos (e.g., ar, água e solo), e suas relações entre si e com o ambiente, interagindo como um sistema (SMITH e SMITH, 2012). Muitas das atuais características atribuídas aos ECODigs foram inspiradas na observação dos ecossistemas da natureza (BOLEY e CHANG, 2007).

Os ecossistemas têm sido explorados em contextos tecnológicos como, por exemplo, os Ecossistemas de Software (ECOSs) (BOSCH, 2009, DOS SANTOS e WERNER, 2012) que consideram as relações entre as empresas e comunidades de software sob o ponto de vista técnico, social e de negócios.

Ecossistema Digital – para os íntimos: EcoDig

Ecossistema digital (do inglês, digital ecosystem) é um paradigma emergente para inovação tecnológica. Consiste de uma infraestrutura digital auto-organizável com o intuito de criar um ambiente digital para as organizações conectadas em rede, provendo apoio à colaboração ou cooperação, compartilhamento de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias adaptativas e abertas (DEST, 2007).

Um ECODig consiste em uma comunidade aberta, onde não há nenhuma necessidade permanente de controle centralizado ou distribuído. Uma estrutura de liderança pode ser formada (e dissolvida), em resposta às necessidades dinâmicas do ambiente (BOLEY e CHANG, 2007). Assim, os ECODigs promovem mudanças também nas tradicionais formas de comunicação, pois as organizações (públicas ou privadas) deixam de atuar como ilhas isoladas para compor uma rede de colaboração ou um ecossistema interconectado por meio de técnicas de engajamento alavancadas pelas TICs.

Características Essenciais

As características essenciais dos ECODigs são baseadas nos conceitos de agentes (entidades que se integram a um ambiente ou comunidade com base em seus próprios interesses) e espécies (tipos de agentes) e inspiradas na analogia com a biologia:

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(i) Abertura, Interação e Engajamento: A abertura se refere a um ambiente virtual transparente, onde existe interação entre os agentes do ECODig visando o bem-estar social e o engajamento com outros para obter oportunidades e compartilhar recursos. Às vezes, a comunidade precisa se unir para se defender contra ameaças externas. Os agentes não serão capazes de sobreviver a menos que reconheçam que são interdependentes em relação a outras espécies deste ecossistema e que estejam dispostos a cooperar com elas.

(ii) Balanceamento: Harmonia, estabilidade e sustentabilidade dentro de um ECODig. Se alguma espécie está ficando desproporcionalmente tensionada ou dividida, todo o ecossistema pode entrar em colapso. No entanto, um único ponto de falha não precisa levar a um desastre, mas pode dar origem a um novo equilíbrio do ecossistema como um todo.

(iii) Agrupamento por domínio e acoplamento fraco: As espécies compõem um ecossistema por escolha própria. Seus membros compartilham uma cultura, hábitos sociais, interesses e objetivos semelhantes. Cada espécie preserva o meio ambiente comum e é pró-ativa e receptiva para o seu próprio benefício. Ao mesmo tempo, os agentes percebem as vantagens da colaboração e existe um interesse mútuo comum entre as partes. Assim, possuem entusiasmo em participar do trabalho da comunidade. Eles são, portanto, capazes de viver juntos em comunidade e apoiar uns aos outros para a sustentabilidade do ECODig como um todo.

(iv) Auto-organizável: Cada espécie é independente, auto-habilitada, auto-preparada, capaz de se defender e sobreviver através da auto-coordenação. Os agentes de um ecossistema digital são capazes de agir de forma autônoma, tomar decisões e cumprir responsabilidades.

Conclusão

Vimos que os Ecossistemas Digitais (ECODigs) consistem em tecnologias facilitadoras e paradigmas para a promoção do desenvolvimento local endógeno, e processos de compartilhamento de conhecimento que fornecem serviços de TIC adaptados e personalizados para os cidadãos e as redes de negócios (DIGITAL ECOSYSTEMS, 2007).

O importante é entendermos esse conceito para que possamos perceber quando estamos inseridos em um ecossistema digital e possamos saber como fomentá-lo, estimulá-lo. Na contra mão disso, as vezes não estamos inseridos em um EcoDig e nos damos conta que deveríamos estar atuando de forma mais colaborativa com outros atores do mercado – clientes, fornecedores e etc. – para nos beneficiarmos em termos de negócios e resultados.

Referências

BOLEY, H.; CHANG, E., 2007, “Digital Ecosystems: Principles and Semantics“. Inaugural IEEE-IES Digital EcoSystems and Technologies Conference (DEST), p. 398–403

BOSCH, J., 2009, “From Software Product Lines to Software Ecosystems“. In: Proceedings of the 13th International Software Product Line Conference, p. 111–119, Pittsburgh, PA, USA.

DEST, 2007. Inaugural IEEE International Digital Ecosystems and Technologies Conference.

DHUNGANA, D.; GROHER, I.; SCHLUDERMANN, E.; et al., 2010, “Software Ecosystems vs. Natural Ecosystems: Learning from the Ingenious Mind of Nature“. In: European Conference on Software Architecture: Companion Volume, p. 96–102, New York, NY, USA.

DIGITAL ECOSYSTEMS, 2007. The Information Resource about the European approach on Digital Business Ecosystems.

DOS SANTOS, R. P.; WERNER, C. M. L., 2012, “ReuseECOS: An Approach to Support Global Software Development through Software Ecosystems“. In: 2012 IEEE Seventh International Conference on Global Software Engineering Workshops (ICGSEW), p. 60–65

MAGDALENO, A. M.; ARAUJO, R. M., 2015, “Ecossistemas Digitais para o Apoio a Sistemas de Governo Abertos e Colaborativos“. Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação (SBSI) – Short Paper, p. 655–658, Goiânia, GO, Brasil.

SMITH, T. M.; SMITH, R. L., 2012, Elements of Ecology. 8 edition ed. San Francisco, Benjamin Cummings.

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Andrea Magalhaes Magdaleno
Andréa Magalhães  
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Andréa é professora do Instituto de Computação (IC) da Universidade Federal Fluminense (UFF). Atuou como pós-doutora e pesquisadora pela COPPE/UFRJ em 2014 e na UNIRIO em 2015. Concluiu seu doutorado em Engenharia de Software com foco em Processos e Colaboração pela COPPE/UFRJ em 2013.  Também ministra cursos de pós-gradução e extensão pela PUC-Rio.

Experiência de participação em projetos de consultoria para diferentes empresas, como Petros, Vale, TIM, Petrobras, SENAI-CETIQT, Shell, Arquivo Nacional e Mongeral Aegon. Atua há mais de 15 anos nas áreas de Gestão de Processos de Negócio (BPM), Gerência de Projetos e Requisitos. Atuou durante 2,5 anos como Gerente na Ernst Young (EY). 

Nessas áreas, também ministra cursos de pós-graduação e extensão, orienta alunos e possui trabalhos publicados em congressos e revistas nacionais e internacionais.

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