Process Thinking - Startups e MPMEs - Repensando processos

outubro

5

2014

5 outubro 2014,
 1

Process Thinking – Repensando os processos das startups e MPMEs


De modo geral, os processos são o caminho para uma empresa organizar o trabalho e os recursos (humanos, físicos, tecnológicos, informacionais e etc.) para atingir seus objetivos e atender as demandas dos seus clientes. Um processo tem por finalidade transformar, manipular ou processar insumos para produzir bens ou serviços que irão satisfazer a demanda gerada pelos consumidores ou clientes (DUMAS et al., 2013, WESKE, 2012). Um processo explicita como a organização funciona e como as suas atividades devem ser executadas.

Os processos existem em todas as empresas, independente do seu tamanho ou setor de atuação, mesmo que não sejam claros, visíveis, documentados ou organizados. Porém, muitas empresas não conseguem planejar ou acompanhar os seus processos de negócio. E se eles não estão sendo pensados ou analisados, isso significa que eles estão acontecendo de forma caótica e descontrolada. Edwards Deming afirmava: “Se você não é capaz de descrever o que você faz como um processo, você não sabe o que está fazendo”. Ou seja, sem a gestão dos processos típicos de uma empresa, como o financeiro, contábil, marketing e etc., os empreendedores muitas vezes são surpreendidos por problemas de gestão graves que podem levar uma empresa à beira da falência.

Muitas vezes, diante do corre-corre do dia-a-dia, principalmente no caso das startups, micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) que estão sempre se esforçando para fazer o máximo possível com poucos recursos, os empreendedores não têm tempo ou não percebem sequer esta necessidade de pensar os seus processos. Eles se concentram no aspecto tecnológico de criação do produto e não se são conta do cenário completo da empresa que estão construindo ao seu redor.

Problemas de Gestão

Problemas de Gestão

Outra explicação comumente encontrada para o baixo nível de gestão e de organização de processos nas startups e MPMEs é que a simples menção da palavra processos costuma ser associada com burocracia e perda de tempo. De fato, as abordagens tradicionais de Gestão de Processos de Negócio (Business Process Management – BPM) (BALDAM et al., 2009, ELZINGA et al., 1995, PAIM, 2009, SHARP and MCDERMOTT, 2001) demandam um esforço grande para a modelagem e análise dos processos. Isso acaba resultando em um custo elevado e a preocupação com os processos e sua gestão muitas vezes torna-se um luxo restrito às grandes empresas.

Porém, quando ultrapassa-se a barreira inicial da desconfiança típica que os empreendedores têm das iniciativas de processos e gestão, eles se dão conta do quanto precisavam destas discussões sobre os seus processos. Motivados, interessados e dedicados ao sucesso dos seus negócios, estes empreendedores absorvem rapidamente todas as melhorias propostas e as implementam mais rapidamente do que qualquer grande empresa jamais conseguiria.

Assim, a proposta do Process Thinking é promover a análise e repensar dos principais processos de negócio de forma lúdica, ágil e inovadora. O principal objetivo é aproximar a gestão dos processos da realidade das startups e MPMEs, tornando-a um instrumento que faça parte da gestão do dia-a-dia destas empresas.

O Process Thinking é uma abordagem inspirada nas ideias de BPM Ágil combinadas com os princípios do Service Design Thinking:

– Centrado no usuário

– Co-criativo

– Sequenciado

– Baseado em evidências

– Holístico

 

Referências

BALDAM, R.; VALLE, R.; PEREIRA, H.; et al., 2009, Gerenciamento de Processos de Negócio. São Paulo, SP, Brasil, Érica.

DUMAS, M.; ROSA, M. L.; MENDLING, J.; et al., 2013, Fundamentals of Business Process Management. 2013 edition ed. New York, Springer.

ELZINGA, D. J.; HORAK, T.; CHUNG-YEE LEE; et al., 1995, “Business process management: survey and methodology“, Engineering Management, IEEE Transactions on, v. 42, n. 2, pp. 119–128.

MAGDALENO, A. M.; ENGIEL, P.; TAVARES, R. L.; et al., 2017, “Bridging the Gap between Brazilian Startups and Business Processes – Process Thinking’s Initial Exploratory Case Study“, Revista Brasileira de Sistemas de Informação (iSys), v. 10, n. 1, pp. 19–38.

PAIM, R., 2009, Gestão de processos: pensar, agir e aprender. Porto Alegre, Bookman.

SHARP, A.; MCDERMOTT, P., 2001, Workflow Modeling: Tools for Process Improvement and Application Development. 1st ed. Artech House Publishers.

WESKE, M., 2012, Business Process Management: Concepts, Languages, Architectures. 2nd ed. 2012 edition ed. Heidelberg ; New York, Springer.

 

Andréa Magalhães Magdaleno
Andréa Magalhães

Andréa é professora do Instituto de Computação (IC) da Universidade Federal Fluminense (UFF). Atuou como pós-doutora e pesquisadora pela COPPE/UFRJ em 2014 e na UNIRIO em 2015. Concluiu seu doutorado em Engenharia de Software com foco em Processos e Colaboração pela COPPE/UFRJ em 2013 e seu mestrado em Informática pelo NCE-IM/UFRJ em 2006. Certificada como implementadora MPS-BR.

Possui experiência de participação em projetos de consultoria para diferentes empresas, como Vale, TIM, Petrobras, Shell, Arquivo Nacional e Mongeral Aegon. Atua há mais de 15 anos como Gerente e Consultora especializada nas áreas de Gestão de Processos de Negócio (BPM), Gerência de Projetos e Requisitos.

Nessas áreas, também ministra cursos de pós-graduação e extensão e possui trabalhos publicados em congressos e revistas nacionais e internacionais.