Inteligência Artificial e BPM: repensando um contexto organizacional “turbinado” |

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26 novembro 2017,
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Inteligência Artificial e BPM: repensando um contexto organizacional “turbinado”


Nós e a Inteligência Artificial

Inteligência artificial (IA) não é um termo novo. Ele foi cunhado pelo cientista americano John McCarthy (1927-2011) em 1955. Porém, recentemente tem sido tema recorrente e em destaque em diversos meios de comunicação especializados e para o público em geral (VILICIC e THOMAS, 2017; Olha Digital, 2017).

Com o desenvolvimento da tecnologia, a IA está cada vez mais presente em nossas vidas e essa presença tende a ser cada vez maior. Seja em carros autônomos, assistentes inteligentes como Amazon Alexa, Google Home ou Apple Siri, a IA se apresenta como um novo recurso para as pessoas interagirem e repensarem a tecnologia em suas vidas.

A presença e influência da IA na vida das pessoas é um fenômeno novo na história do desenvolvimento de tecnologias (VILICIC e THOMAS, 2017; Olha Digital, 2017). Com o advento da IA, a relação entre pessoas e máquinas se torna mais entrelaçada e conectada do que qualquer outra tecnologia existente. A colaboração e cooperação de pessoas e máquinas é descrita como uma simbiose, onde as duas partes combinam suas melhores capacidades para alcançar um mesmo objetivo (KELLY, 2015).

Dada essa relação tão forte entre IA e pessoas, as grandes empresas de tecnologia como Amazon, Apple, IBM, Google/DeepMind, Facebook, Microsoft e outros, se uniram com instituições acadêmicas de pesquisa para estudar e desenvolver boas práticas e recomendações para tecnologias de IA, promover a compreensão pública da IA e servir como plataforma aberta para discussão e engajamento sobre a IA e suas influências sobre as pessoas e a sociedade (AGUIAREM, 2017; YUGE, 2017; COMPUTER HISTORY MUSEUM, 2017; PARTNERSHIP ON AI, 2017).

 

BPM e IA

Nesta nova realidade onde pessoas e tecnologia precisam construir uma relação de simbiose para alcançar um mesmo objetivo da melhor maneira possível, a Gestão de Processos de Negócio (do inglês Business Process Management – BPM) precisa se adaptar para atender as demandas desse mundo “turbinado” por tecnologia de IA.

Os recursos tradicionais de BPM precisam ser repensados e discutidos [10]. Desde metodologias até ferramentas de modelagem precisam ser analisadas considerando IA como um elemento de mudança na forma de pensar e agir das pessoas e, consequentemente, das organizações.

Um exemplo de combinação de BPM e IA – o Robotic Process Automation (RPA) – ainda é um tema novo mesmo na comunidade científica (CBPM, 2017; MARRELLA, 2017; HULL e NEZHAD, 2016), com muitas discussões e casos a serem estudados.

Mesmo sem recursos específicos para lidar com IA no gerenciamento de processos de negócio, os profissionais de BPM precisam entender sobre IA e como esta pode influenciar pessoas e processos nas organizações.

Considerando a relação pessoas-IA como um novo elemento dentro do contexto organizacional, as iniciativas de BPM estarão olhando para um futuro não tão distante. As empresas que melhor usarem tecnologia de IA em seus processos de negócio serão aquelas com maior potencial de destaque em seus mercados. Serão as empresas “turbinadas” por IA.

 

Referências

1st International Workshop on Cognitive Business Process Management – https://sites.google.com/site/cbpm2017/

ANDREA MARRELLA. 2017. What Automated Planning can do for Business Process Management. arXiv preprint arXiv:1709.10482.

ANDREY AGUIAREM. Parceria de futuro: IBM e MIT firmam acordo para pesquisas com o Watson. https://www.tecmundo.com.br/mercado/121949-parceria-futuro-ibm-mit-firmam-acordo-pesquisas-watson.htm (Publicado em 12/09/2017)

CLAUDIO YUGE. Google cria grupo para avaliação da ética na inteligência artificial. TechMundo (publicado em 04/10/2017). https://www.tecmundo.com.br/seguranca/122666-google-cria-grupo-avaliacao-etica-inteligencia-artificial.htm

COMPUTER HISTORY MUSEUM. AI and Social Good. https://youtu.be/1wa7W3ESMgE (publicado em 2/10/2017)

FILIPE VILICIC; JENNIFER ANN THOMAS. Os trunfos e os riscos da inteligência artificial. Veja (publicado em 21/09/2017)

KELLY III, J.E.: Computing, cognition and the future of knowing: How humans and machines are forging a new age of understanding. IBM Research (2015)

OLHAR DIGITAL. O bê-a-bá da Inteligência Artificial; entenda os detalhes dessa tecnologia. https://olhardigital.com.br/video/-o-be-a-ba-da-inteligencia-artificial-entenda-os-detalhes-dessa-tecnologia/68935 (publicado em 10/06/2017)

PARTNERSHIP ON AI – https://www.partnershiponai.org/

RICHARD HULL; HAMID R MOTAHARI NEZHAD. 2016. Rethinking BPM in a Cognitive World: Transforming How We Learn and Perform Business Processes. International Conference on Business Process Management, Springer, 3–19.

 

Juliana Jansen
Juliana Jansen Ferreira

Juliana possui doutorado em Interação Humano-Computador (IHC) e mestrado em Informática para sistemas de apoio ao negócio, com experiência profissional na conexão entre domínio de negócio e soluções tecnológicas. Ao longo dos últimos 10 anos, ela atuou em diferentes indústrias – saúde, petróleo e gás, TI, educação, previdência privada, justiça e assuntos jurídicos – interagindo com as partes interessadas para identificar possíveis oportunidades de adoção de tecnologias. Ela tem experiência em projetos de modelagem de processos de negócios com vários objetivos, como representação e revisão do processo de negócios, uso de modelos para identificar pontos de problemas ou oportunidades de melhoria no modelo do negócios e derivação de requisitos para novos sistemas. Conhecimento e grande experiência na avaliação da interface e interação de sistemas como o objetivo de identificar problemas de usabilidade e comunicabilidade que afetam a experiência do usuário final. Nos últimos 8 anos, Juliana sempre tentou relacionar sua experiência profissional e conhecimento de pesquisa ao longo de seus projetos. Grande experiência em metodologias de estudos de campo e técnicas envolvendo pessoas para identificar necessidades de interface e interação para o design de novos sistemas ou o redesenho de sistemas existentes. Pesquisadora qualitativa completa e qualificado, ela costuma analisar grandes quantidades de dados para apontar ideias para novas investigações relacionadas a pessoas e como a tecnologia pode influenciar suas vidas. Atualmente é pesquisadora de IHC na IBM Research investigando como a inteligência artificial influencia e muda a dinâmica de interação entre pessoas e tecnologias.