Aplicando Tecnologias Sociais ao Ciclo de BPM

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2015

5 março 2015,
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Aplicando Tecnologias Sociais ao Ciclo de BPM


BPM (Business Process Management) é uma abordagem disciplinar ou um ciclo contínuo para projetar, modelar, simular, executar, monitorar e melhorar os processos de negócio da organização, automatizados ou não, para alcançar resultados consistentes e alinhados com os objetivos estratégicos da organização. Tradicionalmente, os esforços de BPM são realizados por analistas de processos e desenvolvedores de TI de acordo com os requisitos especificados por especialistas do domínio e usuários finais que eventualmente automatizam seus processos com apoio tecnológico. Esta é uma abordagem top-down, onde os processos não são definidos pelos mesmos indivíduos responsáveis pela sua execução, o que funciona bem para processos bem-estruturados, altamente repetitivos e sujeitos a poucas mudanças ao longo do tempo. No entanto, para processos não estruturados ou ad-hoc, o BPM tradicional muitas vezes sofre de: uma considerável divergência entre os modelos de processo e a realidade da sua execução; e o fracasso de alavancar ideias para a melhoria e inovação (Pflanzl e Vossen, 2014).

Para resolver estes problemas, BPM precisa ser entendido como uma iniciativa que requer a participação ativa de diferentes stakeholders. Além dos especialistas em BPM da organização, é necessário envolver também os usuários finais internos do processo, e, possivelmente, outros indivíduos pertencentes a entidades externas, incluindo clientes e fornecedores.

Social BPM atinge este objetivo ao criar uma arquitetura para participação em BPM. Ao trabalhar em conjunto, a comunidade do negócio pode criar melhores soluções para o processo do que um único especialista pode conseguir sozinho.

Trabalho em Equipe

Trabalho em Equipe

Do ponto de vista tecnológico, Social BPM (FISCHER, 2011) busca integrar os sistemas de informação organizacionais, os sistemas de gerenciamento de processos de negócio (BPMSs), as tecnologias sociais (software/mídias sociais) e os ambientes organizacionais de comunicação e colaboração (Intranets, e-mail, redes sociais intraorganizacionais) de forma a ampliar a colaboração entre os executores de um processo.

Existem diversas oportunidades de integração de tecnologias de apoio à colaboração às atividades do ciclo de BPM. Ao promover essas aproximação, espera-se alcançar ganhos de compartilhamento de conhecimento, agilidade e inovação. A dheka possui uma proposta de inserção do aspecto social no ciclo de gestão do BPM. A partir daí, é necessário promover o uso do Social BPM encorajando as pessoas envolvidas na sua utilização e mostrando o valor do Social BPM.

 

Projeto de processos colaborativos

Projetar a colaboração nos processos de negócio das organizações através do uso do Modelo de Maturidade em Colaboração (CollabMM).

Modelagem

Nesta fase é possível pensar tanto na modelagem colaborativa de processos – através do uso de ferramentas colaborativas para co-criação do modelo de processos – quanto na modelagem de processos colaborativos – através do uso de uma notação com expressividade para representar aspectos de colaboração (tais como aprovação, votação, comentários e etc) (BPM4People).

Execução

A execução do processo pode acontecer de forma ad-hoc e dinâmica utilizando uma solução de Case Management capaz de lidar com a especificidade das diferentes instâncias de execução do processo. Este é também o momento dos participantes do processo (internos e externos, previstos e não previstos) se envolverem, engajarem e socializarem visando atingir os objetivos de negócio e satisfazer as necessidades dos clientes.

Monitoramento

O monitoramento do processo também se vale das tecnologias colaborativas para notificar as mudanças ou andamento no processo através do stream do processo ou wall de notícias sobre o processo. Desta forma, comunica-se rapidamente dados de negócio aos usuários em tempo real e usando tecnologia mobile.

Melhoria

A melhoria de processos é feita através da troca de ideias, experiências, exemplos e etc. Podem ser criadas comunidades de práticas ou fóruns para discussões. Ferramentas de social software como wikis, blogs também podem ser utilizadas interna ou externamente.

 

Conclusão

Você pode estar se perguntando: as empresas brasileiras já estão usando Social BPM? Descubra esse panorama nacional neste nosso artigo “A Survey on the use of Social BPM in Practice in Brazilian Organizations“.

 

Referências

ARAUJO, R. M., MAGDALENO, A. M.,2014, “Tutorial Social BPM: A dimensão social da Gestão de Processos de Negócio“. Escola Regional de Sistemas de Informação (ERSI), Niterói, RJ, Brasil.

BATISTA, M. F.; MAGDALENO, A. M.; KALINOWSKI, M., 2017, “A Survey on the use of Social BPM in Practice in Brazilian Organizations”Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação (SBSI), pp. 436–443, Lavras, Minas Gerais, Brasil.

BPM4People: http://www.bpm4people.org/cms/content/en/home

FISCHER, L., 2011, Social BPM: work, planning and collaboration under the impact of social technology. Lighthouse Point, Florida, Future Strategies Inc.

PFLANZL, N.; VOSSEN, G., 2014, “Challenges of Social Business Process Management”. In: 47th Hawaii International Conference on System Sciences, pp. 3868–3877, Los Alamitos, CA, USA.

 

Andréa Magalhães Magdaleno
Andréa Magalhães

Andréa é professora do Instituto de Computação (IC) da Universidade Federal Fluminense (UFF). Atuou como pós-doutora e pesquisadora pela COPPE/UFRJ em 2014 e na UNIRIO em 2015. Concluiu seu doutorado em Engenharia de Software com foco em Processos e Colaboração pela COPPE/UFRJ em 2013 e seu mestrado em Informática pelo NCE-IM/UFRJ em 2006. Certificada como implementadora MPS-BR.

Possui experiência de participação em projetos de consultoria para diferentes empresas, como Vale, TIM, Petrobras, Shell, Arquivo Nacional e Mongeral Aegon. Atua há mais de 15 anos como Gerente e Consultora especializada nas áreas de Gestão de Processos de Negócio (BPM), Gerência de Projetos e Requisitos.

Nessas áreas, também ministra cursos de pós-graduação e extensão e possui trabalhos publicados em congressos e revistas nacionais e internacionais.